Tempo é dinheiro

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Como procrastinador nato, digníssimo representante dos arquitetos com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), sempre tive na gestão do tempo meu maior calcanhar de Aquiles. Perdi muitos clientes, deixei de ir a muitas reuniões. Tive minha imagem profissional prejudicada por não saber organizar minimamente tudo que eu tinha para fazer no dia, além da dificuldade natural em estimar corretamente o tempo de duração de tarefas e compromissos.

Não há como ser criativo, produtivo, oferecer serviços de qualidade e ainda viver como uma pessoa normal sem uma ferramenta adequada de gestão do tempo. Depois de ler muito sobre o tema, geralmente publicações estrangeiras, comecei a me dedicar de fato à organização do meu tempo ao comprar o livro “A Tríade do Tempo”, de Christian Barbosa (Editora Sextante).images

Há uns cinco anos eu participei de um treinamento conduzido por ele e acabei me tornando usuário do sistema Neotriad (https://neotriad.com/), uma plataforma online sensacional. Infelizmente o app para IOS deixou de ser utilizado, o que nos dias de hoje se torna uma ferramenta fantástica.

Muita coisa mudou, mas a vigilância deve ser diária. Hábitos de uma vida tiveram que ser desconstruídos. Outros foram criados. O importante é ter em mente que não há hora para começar. Se você é estudante ou profissional experiente, você precisa HOJE criar uma maneira de gerir melhor seu tempo, não só profissional, mas pessoal também.Muita gente boa está no mercado trabalhando a sério a gestão do tempo. Uma delas é Tathiane Deândhela, autora do recém lançado “Faça o Tempo Trabalhar para Você e Tenha Excelentes Resultados” (Editora Sermais).

Faca o tempo trabalhar

De modo geral, sabemos exatamente o que fazer, a questão é como fazer. Uma agenda física é um bom começo. Por outro lado, há uma infinidade de recursos digitais e online que facilitam muito nossa vida. Depois que o Neotriad parou de atualizar seu app para iPhone eu passei a adaptar o método para a agenda do Google mesmo. Uma ferramenta simples e que permite sincronização instantânea com seus gadgets, além de permitir o compartilhamento de compromissos com outras pessoas. Para nós, arquitetos é sensacional. O próprio “Lembretes” do iPhone permite a personalização de diversas listas de tarefas. Tenho feito assim: criei listas de tarefas divididas em “urgentes”, “importantes” e “circunstanciais” (mais informações, leia o livro do Christian) para inserir tarefas na hora que elas surgem. Assim que possível, lanço no Google Calendar, de acordo com as diversas agendas personalizadas que já fiz. O Neotriad permite fazer tudo isso, mas é preciso estar com um computador ligado. Não me dei bem acessando o site pelo iPad, por exemplo.

Se você acorda sem saber exatamente o que tem a fazer no dia, ou se sente incapaz de programar seus compromissos e tarefas com dois ou três dias de antecedência, lembre-se que um arquiteto com TDAH, que toma Ritalina duas vezes ao dia, conseguiu ao menos sair do caos total para um mínimo de organização. Mãos à obra!

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Curso “Gestão de Escritórios de Arquitetura e Design” em Cuiabá

Atenção, Cuiabá! O IPOG oferece, de 1 a 3 de abril, o meu Curso de Aperfeiçoamento Profissional – CAP de “Gestão de Escritórios de Arquitetura e Design”.

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Com foco na prática, pautado pela minha experiência de 16 anos como arquiteto e urbanista e palestrante, vamos abordar aspectos importantes para o sucesso profissional, como planejamento estratégico, gestão de custos, precificação dos serviços, elaboração de propostas, contratos e técnicas de negociação.

Informações e inscrições: (65) 3321-3665 – cuiaba@ipog.edu.br

A coisa está feia também para os arquitetos europeus. Mas há esperança por lá também.

Nota do Blog: Num momento onde Portugal discute as propostas de lei do Governo 226 e 227/XII, que podem voltar a permitir aos não-arquitetos assinar projetos, nossos patrícios discutem as perspectivas da profissão. Portugal tem, em média, 2 arquitetos para cada mil habitantes (pelo censo do CAU de 2012, temos 0,5 arquiteto por mil habitantes. Os EUA, por exemplo, têm 0,7). Apesar do mercado em queda por lá também, os arquitetos europeus estão otimistas. E aqui no Brasil, quais são as expectativas para os próximos quatro, cinco anos? Sei não…

Extraído do portal http://www.publico.pt

Há mais arquitectos e arquitectas na Europa e estão optimistas

Recuperação da Casa da Severa, projecto de José Adrião MIGUEL MANSO

Na Europa há mais arquitectos, mais paridade na profissão e menos desemprego. Desde 2012, há também menos trabalho para privados mas o número de encomendas do sector público cresceu. Um estudo do Conselho dos Arquitectos da Europa revela ainda que em Portugal a profissão cresceu nos últimos dois anos, mas que o seu mercado continua em queda.

Estas são algumas das principais conclusões do estudo The Architectural Profession in Europe 2014, do CAE, que mostra também os arquitectos mais esperançados em relação ao seu trabalho este ano. Este é o “relatório mais exaustivo e significativo do estado da profissão arquitectónica na Europa”, segundo Luciano Lazzari, presidente do CAE, que identifica as “tendências encorajadoras e perspectivas positivas para a profissão”, como escreve no prefácio do estudo, como o desemprego a diminuir e a dar lugar a novas oportunidades para os 565 mil arquitectos europeus.

Deles, uma fatia significativa pertence a Itália – 153 mil profissionais -, com 19% dos arquitectos europeus oriundos da Alemanha – 107 mil – e um rácio de arquitectos por habitante superior à média europeia. Portugal, onde existem 21.200 arquitectos, tem dois arquitectos por cada mil habitantes, sendo que na Europa há um arquitecto por cada mil habitantes. Só Itália supera Portugal nesta concentração de profissionais, com 2,5 por cada mil habitantes.

Esta é uma profissão que pela primeira vez desde a existência do estudo acredita num futuro melhor – cerca de 75% dos inquiridos esperam ter o mesmo ou mais trabalho em 2015 – apesar de o contexto económico continuar “frustrantemente difícil”, como se se lê na introdução ao levantamento do conselho. Na Zona Euro pouco mudou no sector da construção nos últimos cinco anos, informa o CAE, o que representou uma queda estimada de 5% no mercado dos arquitectos entre 2012 e 2014.

O levantamento, que se realiza desde 2008 de dois em dois anos ouvindo profissionais de todo o continente europeu, contou em 2014 com a participação de 18 mil arquitectos de 26 países. E o retrato que faz é então o de uma profissão em crescimento –há mais 6% de arquitectos na Europa do que em 2012 – e o de uma ocupação que pela primeira vez em sete anos se faz com 39% de arquitectas, o número mais elevado e paritário desde 2008 mas que ainda assim é o menos jovem – há menos arquitectas com menos de 40 anos a exercer do que nos estudos anteriores. Em Portugal, há 57% de arquitectos e 43% de arquitectas. Em países como a Grécia ou Suécia, há mesmo mais arquitectas do que homens a exercer a actividade.

Trinta e quatro por cento arquitectos têm menos de 40 anos e 78% trabalham a tempo inteiro (em Portugal, são 69%), sendo que no conjunto dos 26 países, as receitas obtidas pelos arquitectos mantêm-se aos níveis de 2012.

Mas esta também é uma Europa que é um puzzle – diferentes países têm diferentes problemas e a divisão Norte/Sul continua a ser marcante. É no sul que “o mercado continua num impasse e que o subemprego e o desemprego continuam uma grande preocupação para muitos arquitectos”, frisa Lazzari.

Portugal é um desses países que, também segundo o estudo, impulsiona o crescimento da profissão com mais licenciados e jovens arquitectos (são agora 21.200, contra os 17.100 de 2012) que, no entanto, encontram depois um mercado que decaiu dos 261 milhões de euros (2012) para os 176,6 milhões (2013/14) em apenas dois anos. Ainda assim, os arquitectos portugueses mostraram-se mais optimistas do que no passado, com 30% dos responsáveis a acreditar que em 2015 terão mais trabalho e 40% a prever manter a mesma carga de trabalho.

Em Portugal, faz-se mais remodelação e recuperação de edificado existente (56%) do que construção nova (44%), seguindo a tendência europeia – 57% de recuperações e 43% de novo edificado, com a Turquia na cabeça do pelotão no que toca à construção de raiz, que representa 75% do trabalho de arquitectos no país.

No estudo, Luciano Lazzari apela à “acção a todos os níveis da governança” comunitária e local para “melhorar os enquadramentos reguladores para garantir que a profissão pode continuar a fazer boa arquitectura”. Fá-lo numa altura em que se discutem no Parlamento (no momento está em fase de votação indiciária do grupo de trabalho da Comissão de Economia e Obras Públicas) as propostas de lei do Governo 226 e 227/XII que podem voltar a permitir aos não-arquitectos assinar projectos, às quais a Ordem dos Arquitectos e mais de 18 mil peticionários – entre os quais o Pritzker Álvaro Siza, a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa Helena Roseta ou obastonário João Santa-Ritase opõem.

Minha primeira aula inaugural

Atendendo a um convite da minha colega de faculdade, Professora Graziela Moreno, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Metropolitana de Anápolis-GO, no último dia 04 de fevereiro tive a honra de ministrar minha primeira aula inaugural, com casa cheia.

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Aproveitei a oportunidade de falar a estudantes do primeiro ao sétimo semestre para abordar questões relevantes da nossa profissão, em particular aqueles aspectos pouco ou nada contemplados pelas disciplinas acadêmicas, seja por falta de tempo, seja por uma questão de perfil mesmo.

Tenho uma palestra chamada “os sete pecados capitais do arquiteto recém-formado”, algo que pretendo me aprofundar num livro em um futuro próximo. Sempre que dou esta aula, seja para graduandos ou para pós-graduandos, tenho a constatação que muitos assuntos ainda são surpresa para grande parte da nossa classe. Relações profissional/cliente, consequências éticas de certas práticas consagradas pelo mercado, como cobrar um preço justo pelo seu serviço, como ser ético sem ser visto como “otário”, num mercado cada vez mais competitivo e “useiro e vezeiro” em consagrar práticas pouco ortodoxas na conquista de clientes na obtenção de ganhos de modo nem sempre transparente.

Espero que tenha sido a primeira de outras experiências do gênero. Falar para “platéias” maiores aumenta a responsabilidade, mas na mesma proporção é enorme a satisfação em ter a chance de dividir com mais (e futuros) colegas  temas tão pertinentes e sempre atuais.

3 Ferramentas surpreendentemente essenciais ao arquiteto moderno

traduzido livremente do texto publicado por Dylan Chappell . texto original no link http://www.houzz.com/ideabooks/12055966/list/3-Surprising-Essential-Tools-for-the-Modern-Architect

O que você acha que os arquitetos fazem o dia todo? A maioria das pessoas imagina alguém sentado em frente a uma prancheta, com lápis, borracha e esquadro, desenhando até altas horas da noite, dando vazão ao seu gênio criativo como os grandes artistas de outrora. Contrariando este estereótipo, a maior parte dos escritórios substituiu as pranchetas à moda antiga por computadores de última geração e softwares que podem, de várias maneiras, superar o desempenho do velho papel e lápis. Mas a tecnologia sozinha não é o bastante.

c.1930 Vintage French Architect's Drafting Table

As construções atuais possuem um nível de evolução tecnológica sem precedentes, cada vez mais economizando energia, oferecendo mais funções em menores espaços e promovendo um estilo de vida mais saudável. E as formas como os arquitetos estão projetando e construindo também estão mudando.

Mas antes de entrarmos na computação gráfica, modelos 3D e renderizações fotorrealísticas, há algumas qualidades fundamentais que um arquiteto deve ter, pois mesmo o software ou equipamento mais avançado não pode compensar sua ausência. Certas habilidades testadas pelo tempo podem fazer a diferença entre um arquiteto bem-sucedido ou fracassado.

Ouvir. Saber ouvir pode ser a habilidade mais importante na caixa de ferramentas de um arquiteto. Quando eu me formei, tinha o sonho de ser um projetista fantástico, mostrando e ensinando às pessoas o que seria um bom projeto.

Bem, aquelas idéias iniciais (e ingênuas) logo ficaram pelo caminho assim que aprendi que ser um grande arquiteto não tem a ver com  convencer as pessoas de que minhas idéias são ótimas, mas com a habilidade de ouvir, entender e traduzir suas ideias no espaço adequado a elas. O cliente procura cada vez menos aquele profissional com nome, mas com um nível de arrogância e autossuficiência proporcional à sua experiência.

Desenhar. Mesmo com toda a tecnologia atual, nenhum arquiteto deveria ficar sem um caderno de croquis ou um bloco de notas. Ser arquiteto é um compromisso eterno com o estudo, a descoberta e a experimentação de espaços e edifícios. Você nunca sabe quando você vai se deparar com um detalhe, um encaixe ou um produto perfeito. Mas tendo sempre à mão um caderno de desenho, poderá registrar e se lembrar de tudo.

 

Embora o caderno de desenhos de um arquiteto possa conter desenhos impressionantes, ele deve ser usado principalmente para acompanhar ideias e desejos dos seus clientes, para registrar produtos, detalhes, comentários, coisas “a fazer”, problemas a resolver e respostas criativas. Ouvir bem e tomar notas detalhadas são a fundação de qualquer bom projeto.

Experiência. Um arquiteto experiente é o ingrediente chave para um projeto bem sucedido. Mas a experiência só vem com tempo e comprometimento. Não estou dizendo que apenas os arquitetos de cabelos grisalhos são confiáveis, mas o cliente deve se certificar o arquiteto tenha feito projetos similares ao seu. Se o cliente vive numa área onde o processo de aprovação de projeto é complexo e demorado, deve ter certeza que seu arquiteto conhece bem as regras e não vá gastar seu tempo e seu dinheiro “aprendendo” a projetar.

Um arquiteto experiente não deve dominar somente regras locais, estilos vernaculares e as diretrizes de projeto, mas deve ser bem viajado. Grandes espaços arquitetônicos não são somente construções, mas algo que você realmente vivencia. Não há melhor maneira de compreender espaços do que viajando e conhecendo o mundo.

Toda a tecnologia do mundo não será capaz de auxiliar um arquiteto a criar bons projetos sem as três qualidades essenciais acima.

Entretanto os softwares estão disponíveis para ajudar o arquiteto moderno a criar mais ideias, melhorar as técnicas de comunicação e a fazer apresentações de “cair o queixo”. Contratar um arquiteto que tenha uma boa base técnica complementada pelos recursos tecnológicos contemporâneos significa que o cliente tem grandes chances de ser agraciado com bons projetos, mais alternativas e a certeza do que está se contratando antes de se construir.