Tiro no pé

A lei 12.378/10, que regulamenta a profissão do arquiteto e urbanista, diz no seu artigo 7º:

“Exerce ilegalmente a profissão de arquiteto e urbanista a pessoa física ou jurídica que realizar atos ou prestar serviços, públicos ou privados, privativos dos profissionais de que trata esta Lei ou, ainda, que, mesmo não realizando atos privativos, se apresenta como arquiteto e urbanista ou como pessoa jurídica que atue na área de arquitetura e urbanismo sem registro no CAU.”

Quando era estudante, ficava ansioso para “colocar a mão na massa”, projetar algo que fosse efetivamente construído. Sem falar na possibilidade de ganhar “unzinho” além da pequenina bolsa que recebia como estagiário. Talvez por serem outros tempos, onde o trabalho braçal ainda se fazia mais presente ao invés das comodidades necessárias da informática, era difícil um estudante de arquitetura se aventurar no mercado de trabalho. Hoje tudo mudou. Os REVITs, VECTORs, SKETCHUPs, se por um lado proporcionam um aumento impressionante na produtividade e na qualidade da apresentação de projetos, por outro oferecem uma falsa impressão ao leigo de que é fácil projetar, que bastam alguns cliques e o computador por mágica produzirá uma obra-prima da arquitetura. O pior é quando o estudante de arquitetura corrobora este conceito.

Estou impressionado – para não dizer assustado – com a quantidade de estudantes de arquitetura que se aventuram no mercado sem a coordenação de um profissional habilitado. Alunos do sexto, sétimo (e até do segundo semestre!!!) estão fazendo projetos de arquitetura, lépidos e faceiros, sem a consciência de que é, literalmente, um tiro no pé. Vamos aos fatos:

  1. Caro estudante, você está exercendo ilegalmente a profissão. Ainda não é arquiteto. O diploma, por si, não garante um serviço de qualidade, mas um profissional registrado no CAU está sujeito à fiscalização das suas atividades, visando garantir o bem-estar da sociedade.
  2. Entenda que, ao fazer projetos de arquitetura, você está mandando uma mensagem à sociedade, dizendo “olha, ainda não me formei, mas nem é preciso. Você paga menos e eu te ofereço o mesmo serviço”.  Além de ser uma estupidez sem tamanho, você compromete a imagem da nossa profissão, já tão difícil de ser estabelecida. Assim, imagina-se que nosso serviço é caro e até desnecessário, já que um saltitante acadêmico fará “a mesma coisa”.
  3. Daqui a alguns anos, quando você se formar, ficará revoltado com os estudantes que entram antes da hora no mercado de trabalho.
  4. Conhece algum estudante de medicina que faz cirurgia de apêndice? ou um estudante de direito que despacha com um juiz? Não? Pois é. É porque ainda falta muita farinha nesse angu.

Lamento, mas VOCÊ AINDA NÃO É UM ARQUITETO. Pode vir a se tornar um novo Oscar, um novo Lucio, mas muita água precisa passar por baixo da ponte. O que você faz é ilegal, imoral e anti-ético.

Mas o que fazer, então? Vários alunos me procuram perguntando se podem fazer aquele projeto para a tia do interior de Minas ou para o cunhado que vai se casar. Procure um profissional. Ofereça-se para participar do trabalho, aprenda. A prática profissional é fundamental à nossa formação, mas tudo a seu tempo. Existe algo chamado responsabilidade civil e criminal e é sério. Também há algo chamado compromisso. Você tem um compromisso com a sua profissão, com seus pares e com a sociedade. Ninguém quer começar sua vida profissional de forma errada. O retorno financeiro, neste caso, torna-se muito pouco em relação ao prejuízo moral e profissional. Pense nisso.

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Pequenos escritórios: 5 coisas idiotas que arquitetos fazem

Extraído e livremente traduzido de http://www.aia.org/akr/Resources/Documents/AIAP072710 

Pequenos escritórios de arquitetura estão mais sujeitos às ameaças e barreiras que o próprio mercado de trabalho impõe. Grande parte dessas ameaças são causadas pela inobservância de práticas simples que minimizam o risco:

5- Não documentar orientações dadas ou decisões tomadas durante as conversas e reuniões com o cliente.

Redija um memo ou uma ata destacando os pontos-chave da reunião, mande para o cliente e arquive junto aos demais documentos de trabalho. Um Email basta, desde que uma cópia seja arquivada.

4- Não redigir um contrato.

Parece óbvio, mas há quem não faça um contrato escrito. Ou quem o faça de forma amadora. Se foi você mesmo quem redigiu seu modelo de contrato, não reclame daquele seu cliente advogado que insiste em projetar o escritório. “Cada um com seu cada um”, já diz minha mãe (uma advogada). O contrato assinado pelo cliente deve definir, no mínimo, escopo dos serviços, prazo de entrega, valor e forma de pagamento, além de definir o que o arquiteto não fará. Se o arquiteto não definir exatamente quais serviços o escritório não executará, o cliente pode assumir ( e normalmente o fará) que o escopo inclui administração ou vistoria da obra, estimativa de custos ou outro serviços.

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