I Congresso Virtual de Arquitetura – video explicativo

O colega Arquiteto Bruno Capanema, coordenador geral do Congresso, divulgou um vídeo contendo as informações gerais acerca do funcionamento do evento e da participação nas palestras e mini-cursos. Confira!

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Carta aberta aos meus queridos alunos

Caros alunos,

Acabo de saber que fui demitido da UNIP, juntamente com outros professores. Quero agradecer cada minuto que tive o privilégio de dividir com vocês nesses 52 meses. Neste tempo descobri que participar da formação de um arquiteto é tão ou mais importante do que criar edifícios. Se ao edificarmos algo deixamos nossa marca no espaço urbano, tenho certeza que deixei minha marca na formação de cada um de vocês, futuros colegas.

Como contribuição, deixo minha convicção de que o que faz um bom arquiteto é uma boa formação cultural, tão importante quanto a técnica. Muito mais do que uma universidade ou um professor, o que deve movê-los é a paixão pela profissão, a inquietude que deve ser própria da mente maluca de quem cria espaços onde so existe o vazio. Materializamos sonhos. Vivemos disso. Cada um de vocês é a materialização do meu sonho em formar arquitetos muito melhores do que eu jamais serei. Pessoas que não se acomodam com o que a universidade lhes dá (ou pensa que dá). Um aluno não é um número, não é uma mensalidade. Sempre acreditei nisso.

Talvez o tombo dos utópicos seja maior quando a realidade fria e mercantilista dos números nos é jogada na cara. Continuo acreditando no meu sonho. Continuo tendo a certeza de que vocês, assim como aconteceu comigo um dia, não podem se contentar com o que a vida teima em lhes oferecer. Lutem sempre. Valorizem o título que um dia terão. Não se esqueçam de que a arquitetura é feita por pessoas, para pessoas. A beleza do mundo depende do nosso trabalho.

Graças a vocês descobri uma vocação. Graças a vocês, hoje sou um profissional melhor, uma pessoa melhor. Muito obrigado por tudo!

Teoria e prática do partido arquitetônico | Mario Biselli

Ler o original em http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.134/3974

Excelente texto que recomendo aos meus alunos, principalmente de primeiro ano, acerca da definição de partido arquitetônico.


  • Nam June Paik<br />Croquis de Mario Biselli
Nam June Paik
Croquis de Mario Biselli

Muitos autores acadêmicos têm se debruçado recentemente sobre temas e termos correntes da arquitetura na tentativa de compreender e explicar o processo de projetação. O aprofundamento recente destas pesquisas e reflexões tem produzido noções sempre mais didáticas e esclarecedoras, tanto para estudantes e professores como para arquitetos com interesses teóricos e mesmo para leigos e amantes da arquitetura.

A história é rica em exemplos do interesse em resumir o projeto a um processo linear, possuidor de uma técnica de realização passo a passo, como montar uma máquina, como cultivar soja, primeiro isto, depois aquilo e aquilo outro, e assim por diante numa seqüência de procedimentos idêntica a tantas outras técnicas e disciplinas inventadas pelo homem.

Escola Coreana
Croquis de Mario Biselli

Um aspecto interessante da atividade de projeto é justamente a quantidade de teorias, metodologias, manuais de procedimentos e técnicas as mais diversas da qual foi objeto historicamente. Mais interessante ainda é observar que, embora partes do processo de produção do projeto possam estar sujeitas a uma seqüência de procedimentos, o processo inteiro jamais poderá se enquadrar neste modelo, e, portanto, as metodologias não se sustentam enquanto sistemas universais, embora seja obrigatório conhecê-las, pois a nenhum arquiteto é permitida a ignorância sobre a experiência acumulada que compõe a história da arquitetura.

O termo projetação tem sido pouco usado no Brasil, mas é o termo que define a produção do projeto de arquitetura como um processo. Este processo tem um momento crítico e imponderável que foge a qualquer metodologia, mesmo quando a projetação estava sujeita às regras da composição clássica. Este momento crítico é o momento que envolve as decisões relativas ao que conhecemos por partido arquitetônico, termo que em outros lugares é também conhecido como estratégia ou conceito.

Bienal de Arte de SP
Croquis de Mario Biselli

Que tal abrir um escritório modelo em sua faculdade?

Minha primeira experiência prática na arquitetura foi no escritório modelo que existiu por um breve tempo na UnB. Lá se vão… hum… 16 anos. Foi uma experiência sensacional. O acompanhamento de professores, a oportunidade de trabalhar no CEPLAN, o contato com a arquitetura com um cunho mais social, tão importante para nossa formação não só como profissionais, mas como cidadãos.

Como tudo numa universidade, ações como esta dependem de uma relação harmônica entre instituição e corpos docente e discente. Principalmente nas instituições particulares, a iniciativa dos estudantes é fundamental para “fazer as coisas acontecerem”. Digo isso porque se estabelece uma relação quase mercantil entre “cliente” (aluno) e “prestador de serviço” (instituição de ensino), onde a busca pela excelência, pelo conteúdo extra-classe, por tudo que importa para a formação de um arquiteto-cidadão acaba por passar ao largo da percepção do aluno médio.

No mês passado foi realizado aqui em Brasília o SENEMAU – Seminário Nacional de Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo. O blog encontra-se ativo (http://senemaubrasilia2011.blogspot.com/) com todos os documentos produzidos no evento, o que serve como ponto de partida para a criação de um E.M. Mãos à obra, meus pupilos!

Reproduzo aqui um artigo da FENEA – Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura (sim, vocês têm uma federação!) que trata exatamente do tema, no intuito de despertar o interesse dos meus alunos e de qualquer estudante de arquitetura que tenha acesso a este blog, e que tenha um mínimo de motivação para aprender mais do que é ensinado nas salas de aula.

Extraído do site http://www.fenea.org

Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo – EMAU – é um projeto conceituado e fomentado pela FeNEA – Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Ele visa a melhoria da educação e da formação profissional através da vivência social e da experiência teórico-prática como um todo.

A extensão, assim como o ensino e a pesquisa, é fundamental para a formação profissional, pois é um instrumento de interação do meio acadêmico com a sociedade, tendo como princípio básico contribuir para o desenvolvimento desta, através da aplicação do conhecimento gerado e adquirido na universidade. Afirma, ainda, o compromisso da universidade com o desenvolvimento do saber. Neste sentido o EMAU é uma experiência de troca, na qual os estudantes levam às comunidades os conhecimentos específicos de arquitetura e urbanismo, e retornam à comunidade acadêmica o conhecimento adquirido em suas atividades.

O EMAU é uma iniciativa estudantil e não deve ser instrumento das universidades para suprir deficiências acadêmicas, mas sim como um complemento à formação profissional. Todo EMAU possui sua própria dinâmica de trabalho a partir de sua realidade acadêmica e regional, no entanto todos devem respeitar alguns princípios para que sejam considerados escritórios modelo. O eixo norteador ético destes princípios são os quatro postulados da UNESCO e União Internacional de Arquitetos para educação em Arquitetura e Urbanismo:

– Garantir qualidade de vida digna para todos os habitantes dos assentamentos;
– Uso tecnológico que respeite as necessidades sociais, culturais e estéticas dos povos;
– Equilíbrio ecológico e desenvolvimento sustentável do ambiente construído;
– Arquitetura valorizada como patrimônio e responsabilidade de todos.

Sendo seus princípios os itens a seguir:

– Gestão Estudantil – O escritório modelo deve ter autonomia quanto à escolha de projetos e de orientador e é livre a participação de todos os estudantes interessados de sua faculdade. Por isso, torna-se um espaço para o desenvolvimento crítico e reflexivo da atuação e formação profissional.

– Horizontalidade nas tomadas de decisão – Buscar o consenso entre todos os envolvidos no processo, não havendo peso diferenciado entre os participantes. Vale ressaltar que o orientador não é um membro superior aos demais no EMAU e tem igual direito a voz, para incentivar a capacidade de gestão dos estudantes.

– Coletividade – Incentivar e desenvolver o trabalho participativo dentro e fora da universidade, não se restringindo à discussão, mas também promovendo a ação, bem como a troca entre as partes envolvidas. O EMAU, além de ter livre a participação para todos os estudantes de arquitetura e urbanismo, é livre para outros interessados, sendo um espaço de debate aberto a toda a sociedade. Isso garante um processo projetual participativo, promovendo a mobilização social.

– Multidisciplinaridade – Buscar todos os campos do conhecimento, científico e empírico, que possam contribuir para o desenvolvimento dos projetos realizados. O contato pode acontecer por iniciativa do próprio escritório ou da outra parte interessada.

– Não-assistencialista – O trabalho deve ser realizado com comunidades organizadas, elaborado e executado em parceria com a mesma, de forma que esta dê continuidade ao projeto após o afastamento do EMAU.

– Atuação nos locais não alcançados pelo profissional arquiteto – O escritório deve trabalhar com comunidades que não possam ter acesso ao trabalho profissional de arquitetura e urbanismo. A escolha dos locais pretende ainda difundir a atividade da arquitetura e urbanismo, buscando a ampliação da atuação do profissional através da disseminação da consciência do arquiteto e de toda a população.

– Sem fins lucrativos – O escritório modelo não tem fins lucrativos, no entanto, permite o recebimento de bolsa da faculdade por parte dos estudantes. É possível também firmar parcerias com entidades externas, desde que não firam nenhum dos outros princípios aqui presentes, principalmente no que diz respeito à autonomia do escritório modelo e o foco principal na extensão de cunho social. É importante frisar que estas parcerias devem ser buscadas preferencialmente através da comunidade envolvida. A responsabilidade técnica sobre os projetos elaborados pelos EMAUs segue legislação reguladora dos exercícios das profissões, sendo assinados pelo orientador do escritório.

Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo – POEMA – é desenvolvido pela FeNEA e está disponível para download no site da Federação: www.fenea.org. Ele visa orientar, caracterizar e estimular a criação e manutenção dos EMAUs, através da definição conceitual, dos princípios éticos e dos históricos de EMAUs existentes.
Documento elaborado durante o XXXI ENEA (Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo)
em Florianópolis, de 22 a 29 de julho de 2007, promovido pela FeNEA (Federação Nacional dos Estudantes
de Arquitetura e Urbanismo do Brasil), e homologado em plenária final.