A coisa está feia também para os arquitetos europeus. Mas há esperança por lá também.


Nota do Blog: Num momento onde Portugal discute as propostas de lei do Governo 226 e 227/XII, que podem voltar a permitir aos não-arquitetos assinar projetos, nossos patrícios discutem as perspectivas da profissão. Portugal tem, em média, 2 arquitetos para cada mil habitantes (pelo censo do CAU de 2012, temos 0,5 arquiteto por mil habitantes. Os EUA, por exemplo, têm 0,7). Apesar do mercado em queda por lá também, os arquitetos europeus estão otimistas. E aqui no Brasil, quais são as expectativas para os próximos quatro, cinco anos? Sei não…

Extraído do portal http://www.publico.pt

Há mais arquitectos e arquitectas na Europa e estão optimistas


Recuperação da Casa da Severa, projecto de José Adrião MIGUEL MANSO

Na Europa há mais arquitectos, mais paridade na profissão e menos desemprego. Desde 2012, há também menos trabalho para privados mas o número de encomendas do sector público cresceu. Um estudo do Conselho dos Arquitectos da Europa revela ainda que em Portugal a profissão cresceu nos últimos dois anos, mas que o seu mercado continua em queda.

Estas são algumas das principais conclusões do estudo The Architectural Profession in Europe 2014, do CAE, que mostra também os arquitectos mais esperançados em relação ao seu trabalho este ano. Este é o “relatório mais exaustivo e significativo do estado da profissão arquitectónica na Europa”, segundo Luciano Lazzari, presidente do CAE, que identifica as “tendências encorajadoras e perspectivas positivas para a profissão”, como escreve no prefácio do estudo, como o desemprego a diminuir e a dar lugar a novas oportunidades para os 565 mil arquitectos europeus.

Deles, uma fatia significativa pertence a Itália – 153 mil profissionais -, com 19% dos arquitectos europeus oriundos da Alemanha – 107 mil – e um rácio de arquitectos por habitante superior à média europeia. Portugal, onde existem 21.200 arquitectos, tem dois arquitectos por cada mil habitantes, sendo que na Europa há um arquitecto por cada mil habitantes. Só Itália supera Portugal nesta concentração de profissionais, com 2,5 por cada mil habitantes.

Esta é uma profissão que pela primeira vez desde a existência do estudo acredita num futuro melhor – cerca de 75% dos inquiridos esperam ter o mesmo ou mais trabalho em 2015 – apesar de o contexto económico continuar “frustrantemente difícil”, como se se lê na introdução ao levantamento do conselho. Na Zona Euro pouco mudou no sector da construção nos últimos cinco anos, informa o CAE, o que representou uma queda estimada de 5% no mercado dos arquitectos entre 2012 e 2014.

O levantamento, que se realiza desde 2008 de dois em dois anos ouvindo profissionais de todo o continente europeu, contou em 2014 com a participação de 18 mil arquitectos de 26 países. E o retrato que faz é então o de uma profissão em crescimento –há mais 6% de arquitectos na Europa do que em 2012 – e o de uma ocupação que pela primeira vez em sete anos se faz com 39% de arquitectas, o número mais elevado e paritário desde 2008 mas que ainda assim é o menos jovem – há menos arquitectas com menos de 40 anos a exercer do que nos estudos anteriores. Em Portugal, há 57% de arquitectos e 43% de arquitectas. Em países como a Grécia ou Suécia, há mesmo mais arquitectas do que homens a exercer a actividade.

Trinta e quatro por cento arquitectos têm menos de 40 anos e 78% trabalham a tempo inteiro (em Portugal, são 69%), sendo que no conjunto dos 26 países, as receitas obtidas pelos arquitectos mantêm-se aos níveis de 2012.

Mas esta também é uma Europa que é um puzzle – diferentes países têm diferentes problemas e a divisão Norte/Sul continua a ser marcante. É no sul que “o mercado continua num impasse e que o subemprego e o desemprego continuam uma grande preocupação para muitos arquitectos”, frisa Lazzari.

Portugal é um desses países que, também segundo o estudo, impulsiona o crescimento da profissão com mais licenciados e jovens arquitectos (são agora 21.200, contra os 17.100 de 2012) que, no entanto, encontram depois um mercado que decaiu dos 261 milhões de euros (2012) para os 176,6 milhões (2013/14) em apenas dois anos. Ainda assim, os arquitectos portugueses mostraram-se mais optimistas do que no passado, com 30% dos responsáveis a acreditar que em 2015 terão mais trabalho e 40% a prever manter a mesma carga de trabalho.

Em Portugal, faz-se mais remodelação e recuperação de edificado existente (56%) do que construção nova (44%), seguindo a tendência europeia – 57% de recuperações e 43% de novo edificado, com a Turquia na cabeça do pelotão no que toca à construção de raiz, que representa 75% do trabalho de arquitectos no país.

No estudo, Luciano Lazzari apela à “acção a todos os níveis da governança” comunitária e local para “melhorar os enquadramentos reguladores para garantir que a profissão pode continuar a fazer boa arquitectura”. Fá-lo numa altura em que se discutem no Parlamento (no momento está em fase de votação indiciária do grupo de trabalho da Comissão de Economia e Obras Públicas) as propostas de lei do Governo 226 e 227/XII que podem voltar a permitir aos não-arquitectos assinar projectos, às quais a Ordem dos Arquitectos e mais de 18 mil peticionários – entre os quais o Pritzker Álvaro Siza, a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa Helena Roseta ou obastonário João Santa-Ritase opõem.

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