Manoel de Barros, o poeta do Pantanal, se foi.


O escritor e poeta Manoel de Barros morreu hoje, em Campo Grande, aos 97 anos. Seu primeiro livro, “Poemas concebidos sem pecado”, foi publicado em 1937. Sua última obra, “Escritos em verbal de ave”, saiu em 2011.

Reproduzo aqui um dos meus poemas preferidos, que muito tem a ver com a inquietude do arquiteto em transformar o mundo e, assim, transformar a si mesmo.

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

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