Mais um gigante se vai.


A juventude traz o ônus de  testemunharmos a perda das nossas grandes referências. Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Zanine Caldas, Lelé, agora, aos 86 anos, Sérgio Rodrigues.

Um dos grandes responsáveis pelo reconhecimento do design brasileiro no exterior, o pai da poltrona Mole, sua criação mais conhecida, buscou na sua obra retratar o Brasil, descrever nosso país pelas formas, texturas e materiais usados no seu mobiliário.

Uma grande perda. Como todo grande artista, sua obra o eternizará. Tive o privilégio de assistir a uma palestra dele, que se destacava tanto pela inteligência quanto pelo jeito bonachão e atencioso.

Grande Sérgio. Você tem seu lugar na história garantido, mole, mole…

Poltrona Diz (2001)

 

Chifruda (1962)

 

Poltrona Mole (1957)

 

 

Poltrona Mole (1957)

Tete (1996)

 

Mocho (1954)

 

Katita (1997)

Kilin (1973)

Imagens retiradas do site http://www.sergiorodrigues.com.br)

 

Abaixo um depoimento de outro gênio, Millôr Fernandes, sobre Sérgio. (extraído do site http://www.sergiorodrigues.com.br).

Millôr Fernandes
desenhista, humorista, dramaturgo, escritor e tradutor brasileiro…
Foi em 61, creio eu, a consagração Internacional da Poltrona Mole.Conhecendo o longo trabalho de criação e confecção da peça (cotação máxima da nossa arquitetura mobiliária), sempre me referia a ela, falando ou escrevendo, como A Poltrona Que Não Foi Mole. Nos livros Internacionais de crítica especializada é chamada de Sheriff ( não parece tradução de filme de televisão?).
Vou me lembrando de Sergio e suas circunstâncias, e escrevendo ao correr da pena ( ao polsar do chip). Mas não lembro tudo nem escrevo tudo. Que sei eu de arquitetura?
Bem,vai ver,tudo. Sei de morar, sei de dormir, sei de sentar.
De morar sei que devo estar sempre de frente para o mar, olhando para a montanha, e, no Rio, clima tropical,de cara pro nascente.
De dormir. Só durmo com os pés da cama voltados para a porta principal de onde pode penetrar o Mal. Embora em minha vida só tenha penetrado o Bem, depois de premir o leve tímpano do seio, que leva direto ao coração.
E de sentar, aprendi sentando em areia ( de Ipanema), sentado em banco (de Liceu), e evitando sentar em cadeira de Bauhaus (Gropius mereceu terminar a vida com aquela chata da Alma Mahier).
Ainda de sentar. Eu tinha concluído que, como a bunda não vai se modificar no próximo milénio, os arquitetos de móveis tinham que criar a partir dela ( ou delas, se considerarmos a duplicidade dessa singularidade anatômica). Foi aí que o talento estético de Sergio Rodrigues veio ao encontro do meu bom senso e exigencia de conforto e, inesperadamente, empurrou embaixo de mim a já citada Poltrona Mole. Onde não me sentei. Deitei e rolei. Que artefato meus amigos! Uns dizem qué é slouchingly casual, outros que antecipou a Bossa Nova, Sergio Augusto afirma que é um móvel em que a pessoa se repoltreia, e Odilon Ribeiro Coutinho que ” tem o dengo e a moleza libetina da senzala”. Sei lá. Pra mim, essencialmente couro, foi natural curtição. Anatômica, convidativa, insinuante. Atração fatal.Sharon Stone. É prazer sem igual sentar-deitar numa e ficar olhando em frente, uma outra da Bauhaus. Melhor, uma outra Mole.

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