Trabalhar de graça é a solução?


O Americano Adrian Hoppel, webdesigner, tomou uma decisão radical: parou de cobrar por seu trabalho, deixando a cargo do cliente a decisão de quanto pagar pelo serviço. (ler notícia completa no link: http://revistapegn.globo.com/Noticias/noticia/2014/02/webdesigner-parou-de-cobrar-por-seu-trabalho-e-nao-se-arrepende.html)

Adrian Hoppel: fé na justiça e na solidariedade (Foto: Divulgação)

Num mercado até mais concorrido do que o nosso (arquitetura), e com valores relativamente mais baixos, talvez a ideia não tenha sido tão má. Adrian tem ganhado mais com esse novo sistema do que no método tradicional. Meus amigos webdesigners sempre se queixam da concorrência desleal. Clientes que, ou tentam fazer seu site sozinhos ou contratam aquele sobrinho de 16 anos que “mexe com computador”.

Não deixo de pensar naqueles colegas, em particular aqueles que atuam na área de arquitetura de interiores, que praticamente não cobram por seus projetos, contando entretanto com aquela remuneração indireta, a malfadada “reserva técnica”, paga por fornecedores. Claro que a comparação é meio esdrúxula. Afinal, enquanto um busca uma remuneração mais justa contando com o bom senso do cliente, o outro acaba por conquistar mercado cobrando menos, para ser remunerado indiretamente.

Ouvi de um amigo arquiteto que se ele não receber comissão terá que fechar seu escritório. Por atuar “dentro da lei”, com todos os funcionários registrados, pagando seus impostos, seus custos são muito maiores do que dos colegas que atuam quase na informalidade. Segundo ele, as tentativas de cobrar o valor justo pro seus projetos se mostrou fracassada, pois o cliente, ainda segundo suas palavras, “gosta de ser enganado”. Acaba escolhendo a proposta de valor mais baixo, mesmo sabendo que pode vir a pagar muito mais indiretamente.

Como resolver este imbróglio? Como garantir o preço justo pelos serviços de arquitetura sem onerar nem o cliente nem o arquiteto? O que existe de fato é a iniciativa do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), que através do recém-aprovado Código de Ética procurará coibir a prática da remuneração do arquiteto e urbanista por fornecedores. Como romper este círculo vicioso? Muitas perguntas ainda sem resposta.

 

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