Vida de arquiteto


No último dia 25 de abril fui convidado para uma palestra/conversa com os alunos de arquitetura da Unip – DF, juntamente como o arquiteto Airton Costa Jr. que tive o prazer de conhecer nesta ocasião. O tema da conversa girava em torno da nossa experiência como arquitetos, as agruras, aventuras e desventuras de ter um pequeno escritório de projeto. Foi uma boa oportunidade para “passar em revista” esses 11 anos de profissão. Ainda estou longe de onde quero chegar, mas vivo o dilema de estar muito aquém de onde achei que estaria a essa altura da vida. Para minha sorte, arquiteto não se aposenta. Temos na longevidade profissional uma de nossas principais características.

 

Em todo caso, ao preparar a palestra pude perceber que todos os erros cometidos foram de minha inteira responsabilidade. Falta de conhecimento em administração, direito, gerenciamento de projetos, gestão empresarial, economia, contabilidade (sim, todo profissional liberal / empresário precisa saber o mínimo de contabilidade). Não basta ser um bom arquiteto, dominar os programas da área, desenhar como poucos ou ter uma habilidade inata em conquistar pessoas e conseguir clientes. Sem falsa modéstia, tenho boa parte destes atributos.

Atualmente o que mais me aflige no meu pequeno escritório é a dificuldade em conseguir ser arquiteto, dentro da mais básica acepção do termo. Gosto de projetar, de passar uma tarde na minha sala rodeado de papéis em branco e lápis, naquele fértil terreno onde brotam as ideias  – afinal é por causa destas ideias é que sou pago. O correto dimensionamento do fator tempo na quantificação de um projeto é fundamental para mim, já que uso exatamente esta grandeza para precificar meu serviço.

Quanto mais tempo levo para entregar um projeto maior será o custo do meu escritório para produzí-lo. Já que o valor de projeto é o mesmo, não precisa ser um gênio da matemática para deduzir que o dinheiro sairá da minha remuneração. Por outro lado, projetos feitos “a toque de caixa” via de regra têm sua qualidade reduzida, à medida que não há tempo hábil para as ideias nascerem e desenvolverem. O tempo de  fruição, tão fundamental em nossa profissão acaba sacrificado.

Continuo com o quase quixotesco objetivo de ser feliz trabalhando, criando, produzindo, lucrando, ganhando, perdendo, aprendendo, enfim… arquitetando.

7 comentários sobre “Vida de arquiteto

  1. Porra! Arqdaltônico tá eloquencia pura!!😀

    Vou até cortar mais as ‘gírias’, investir nos vocábulos adornadores e puxar nos trilhos dessa jornada louca do universo de arquitetar. Já sou seguidor não somente pela empatia que tenho para com este ilustre ser daltônico cheio de manejo e jogo de saliência aliada à boa malandragem de arquiteto.

    Os artigos estão interessante e sempre com uma jogada de humor. Issaé!!

  2. Bôa Ricardo! Sinto falta de trocar experiências com os colegas. Outro dia encontrei por acaso com o Arq. Rutheford, da Zária, Começamos a conversar e chegamos a conclusão de que concordamos com uma porrada de coisa em realção a nossa profissão, ou melhor: em como mudá-la para melhor e mais prazerosa no dia a dia e em relação aos nosso clientes. Um abraço!!

  3. Esse Ricardo é um profissional acima de qualquer elogio. Tenho certeza de que o tempo trará os louros que você faz por merecer. Não saia desse trilho e continue trabalhando, amigo. (e continue escrevendo muito, para nosso deleite)
    E, Onaci Ricardo, adorei o seu jeitão de escrever. Espero ler mais comentários seus por aqui. Abraço.

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