Casas Brasileiras I – casa das canoas


A casa, tema primordial da arquitetura, é em última instância a materialização dos hábitos, costumes e da condição social daqueles que a ocupam. Como tal, constitui ferramenta fundamental para a análise e compreensão da maneira pela qual o espaço residencial é visto e utilizado em determinada época, por determinado grupo, em determinado local.

Vamos começar a série com a lendária Casa das Canoas (1953), do mestre Oscar. Mais reconhecido pelos grandes palácios e suntuosos edifícios institucionais e culturais em todo o mundo, a casa não foi um tema recorrente dentro do seu trabalho. Esta, projetada para ele próprio, é um exemplo de como uma linguagem, um jeito próprio de ver e fazer arquitetura pode ser identificado em qualquer tipo de projeto, independentemente da sua escala ou do seu programa.

“A casa que um arquiteto projeta para ele mesmo em geral pode ser considerada uma manifestação das suas aspirações, uma espécie de testemunha, um confissão dos seus pecados, uma halografia em que não se pode apenas examinar o texto visível, mas graficamente delinear os motivos secretos do texto e as raízes profundas da inspiração do poeta.” (ROGERS, E. Architectural Review, 1954).

 

Um exemplo de percepção correta do terreno. O respeito e reverência ao sítio, à topografia, à vista e à vegetação talvez permitam uma comparação (neste aspecto) a outra casa lendária: A Fallingwater House, de Frank Lloyd Wright (1934-1936). Porém, o traço marcante, leve, sinuoso do mestre estão lá, tornando-a única.

 

“Essa casa é a construção mais sensual, talvez a casa mais erótica que um arquiteto famoso jamais imaginou. É um lugar deslumbrante, onde é muito agradável estar e amar. Aqui Niemeyer mostra o que arquitetura orgânica quer dizer para ele: uma configuração muito elegante, na qual o interior e o exterior se unem em harmonia. A Casa das Canoas é a síntese de uma busca que começou com o pavilhão brasileiro em Nova York (1939) e os prédios da Pampulha. O essencial é unir a feminidade com uma experiência dinâmica da natureza brasileira. A integração vital da casa na natureza foi influenciada pela obra do amigo pessoal de Niemeyer, o paisagista Burle Marx, uma pessoa muito importante para entender e situá-lo corretamente. Sem a visão de Burle Marx sobre a paisagem, Niemeyer talvez jamais conseguisse chegar nessa residência sublime. Os historiadores precisam destacar essas nuanças para captar e enfatizar as qualidades intrínsecas da obra.” (DUBOIS, Marc. http://www.vitruvius.com.br – 003.03. 2000)

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