Arquitetura: uma grande profissão.


Hoje, 11 de dezembro, é dia do arquiteto (e do engenheiro). Talvez seja a última vez que comemoramos nosso dia nesta data, uma vez que o dia 11/12/33 marca a regulamentação destas profissões, através do Decreto nº 23.569. Com o surgimento do nosso próprio conselho, cuja eleição aconteceu em 26 de outubro deste ano, provavelmente esse dia passe a figurar como nossa data comemorativa.

A despeito da comemoração e deste momento de transição, ser arquiteto é uma boa? Li hoje que “arquitetura é uma grande profissão, mas um mau negócio”. Mas o que nos difere dos “pobres mortais”? Porque esta profissão é tão fascinante e ao mesmo tempo tão difícil de se definir? É uma ciência? é humana ou exata?

O estudante de arquitetura deve ser, por definição, um curioso. Nunca limitar-se ao que lhe é apresentado, sempre procurar aprender mais, saber mais sobre qualquer coisa. Uma verdadeira esponjinha de conhecimento. Coisas aparentemente inúteis e desconexas podem ser a chave para a solução de um projeto. Sabe aquele chavão de “pensar fora da caixa”? Além disso, temos que projetar a caixa.

Um arquiteto tem a obrigação de estudar a história da profissão. São alguns milhares de anos concebendo e construindo espaços para funções diversas, com materiais diversos. De tempos em tempos, alguém cria uma definição genérica que permite agrupar algumas destas obras em função de aspectos específicos –  históricos, construtivos, econômicos, ideológicos etc. Como pensar algo novo sem a visão crítica sobre o que já foi feito?

Muito mais do que registrar construções ao longo do tempo, o estudo da história da arquitetura permite compreender o método, a motivação e, principalmente, a relação entre o mundo, a sociedade, a economia de uma época e a resposta construtiva a suas demandas. Para tanto, história, sociologia, economia, antropologia, filosofia, são temas, mesmo que periféricos em alguns casos, fundamentais à nossa formação. Então está claro. Arquitetura está na classe das ciências humanas e sociais!

Matemática, física, resistência dos materiais, topografia  estão aí para equilibrar o jogo. Sem as ciências exatas nunca sairíamos do campo das elocubrações teóricas (não menos importantes) para o objeto que constitui a materialização do nosso trabalho: o espaço construído. A relação com nossos irmãos engenheiros só é harmônica e produtiva se “falarmos a mesma língua”. O engenheiro, um especialista, deve ter no arquiteto, o generalista, a base para que o construir seja mais do que um fim em si mesmo. A forma, a função, a relação com o entorno, com o terreno, com o ambiente e, principalmente, com as pessoas decorrem das soluções saídas da prancheta do arquiteto.

“O arquiteto projeta e o engenheiro constrói”. Simplório demais, até ofensivo – para ambos. Fazer arquitetura começa muito antes do primeiro risco no papel (e por favor, nunca abandonem o papel). Compreender, e às vezes traduzir, as expectativas do cliente, ler o terreno, a cidade, entender que o que se pretende construir tem um papel maior no tecido urbano, saber que o espaço “não-construído” é tão importante quanto o edifício, saber ver e criar o belo tornam o nosso trabalho um pouquinho mais complicado do que “desenhar uma planta”.

Se você dominar tudo isso, se for um iluminado, ungido pelos céus e predestinado a compartilhar com o mundo seu talento e genialidade, restarão aquelas habilidades que não são ensinadas nos bancos da faculdade. Como se relacionar com o cliente, essa verdadeira esfinge, esse ser misterioso que veio ao mundo para viabilizar e ao mesmo tempo comprometer o seu caminho para a imortalidade? Como transformar uma profissão tão complexa num negócio próspero? Como gerir um escritório, administrar custos, coordenar e liderar pessoas com formações tão diversas?

Artista, administrador, construtor, desenhista, visionário, maluco… ARQUITETO! Parabéns pelo nosso dia. E que você, estudante, nunca se esqueça de que um verdadeiro arquiteto passa cinco anos na faculdade, mas começa sua formação assim que entra em contato com o mundo, e nunca se “forma”. Aprendemos sempre, até o fim.

Ricardo Meira, o arquiteto daltônico.

3 comentários sobre “Arquitetura: uma grande profissão.

  1. Magnifico artigo. Parabéns.
    Concordo em módulo, direção e sentido com TODAS as suas afirmações no texto. Amanhã, se me permite, vou publicar este artigono nosso site. Coisa boa precisa ser compartilhada.
    Grande abraço amigo. Parabéns pelo nosso dia. E, no ano que vem comemoraremos duas vezes. Em outubro e em dezembro.

  2. Prof. Ricardo,
    Parabéns pelas letras…e pelo nosso dia.
    Que você era (é) bom de risco e projeto eu já sabia, agora essa de escritor é novidade!
    Forte abraço do amigo e agora “seguidor”,
    Eleudo Esteves

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