COMO PERDEMOS DINHEIRO…


De vez em quando me dou conta de que cinco anos não são suficientes para formar um arquiteto. Cada vez mais percebo que nossas faculdades formam bacharéis em arquitetura, mas não ARQUITETOS. Mais ou menos como ocorre com nossos colegas do Direito, onde essa distinção é clara, pública e, inclusive, legal. Disciplinas como “Introdução à Administração”, “Fundamentos de Contabilidade”, “Matemática Financeira” deveriam compor nosso currículo básico, quer como disciplinas obrigatórias, quer como optativas. De certo modo, nas Federais há a possibilidade de cursar tais disciplinas, mas será que somos incentivados e orientados a cursá-las?

O fato é que não somos preparados para ser empresários, gerentes de projetos ou chefes de qualquer pessoa que seja. Quantos de nós sabem como abrir uma empresa? Em quais situações isso se torna mais interessante do que atuar como autônomos? Questões práticas do cotidiano de um escritório (em qualquer área de prestação de serviços) são usualmente consideradas “menores”. Afinal, nós, artistas que somos, não temos tempo a perder com coisas insignificantes como impostos, legislação trabalhista, lei do estágio. É só projetar bem que os clientes (e o dinheiro) não faltarão.

Claro que não podia dar certo, não é? No caso de escritórios maiores, com uma estrutura mais sólida (perdão pelo trocadilho infame), normalmente tais serviços são terceirizados ou destinados a um setor específico da empresa. Para o resto, a imensa maioria, nós mesmos acabamos sendo arquitetos, gerentes de projeto, administradores, office-boys, secretárias, telefonistas e, se precisar, servimos um cafezinho também. Me pergunto se os médicos, odontólogos, advogados e engenheiros passam por isso.

A consequência direta do amadorismo do arquiteto em relação às questões financeiras e administrativas é a falta de controle dos custos diretos e indiretos que incidem sobre o preço do serviço. Resumindo: ou cobra-se mal porque não se conhece os custos reais do serviço ou cobra-se bem (por sorte, por nome ou pela prática do mercado) mas lucra-se pouco, pois não sabemos qual é a fatia que realmente compreende nosso lucro.

Pretendo me aprofundar no assunto nos próximos posts, comentando os principais erros na administração de um pequeno escritório de arquitetura. Alguem conhece algum livro sobre isso? Aguardem…

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